O ano do Brasil no Oscar é a frase que descreve o recorde de indicações para filmes e profissionais brasileiros na premiação mais importante do cinema internacional, o 98º. Academy Awards, que acontece em 15 de março.
O Agente Secreto tem indicações em quatro categorias e o brasileiro Adolpho Veloso disputa na categoria Melhor Fotografia no filme Sonhos de Trem.
O marco ganha dupla relevância porque é o segundo ano consecutivo em que o Brasil tem representantes na premiação.
De fato, no ano anterior, o País ganhou a primeira estatueta em 97 anos de premiação na categoria de Melhor Filme por Ainda Estou Aqui.

Para a indústria audiovisual brasileira, a coincidência não é acontecimento fortuito.
O reconhecimento do audiovisual brasileiro, de fato, é fruto de trajetória de anos de dedicação à arte, como é o caso dos diretores Walter Salles e Kléber Mendonça Filho.
Também decorre da presença em demais festivais internacionais que formam o circuito do cinema mundial, como Cannes e Berlim, afirma Andrea Barata Ribeiro, sócia e produtora-executiva da O2 Filmes.
Quatro categorias no Oscar
No entanto, o fato de O Agente Secreto estar entre os finalistas em quatro categorias no Oscar coloca o Brasil e o audiovisual em novo patamar de visibilidade, pois funciona como validador de qualidade das produções nacionais.
“Tudo isso ajuda na consolidação do filme brasileiro. Sabemos e podemos fazer. As indicações são a prova disso. O lugar a se ocupar não vem de uma hora para outra, é construído e filmes com a relevância de um Oscar, ajudam, sem dúvida, nessa construção”, afirma Andrea, da O2 Filmes.
A posição, portanto, atrai o interesse de grandes players que se atraem pelo capital artístico no País e pelo engajamento de público que tais obras podem gerar.
Ainda, no ano passado, o público dos filmes brasileiros nos cinemas nacionais atingiu 10,3% de market share.
Maior interesse pelas histórias do País
Para Rodrigo Teixeira, fundador da RT Features, há maior abertura para o talento brasileiro e maior interesse pelas histórias do País.
“Existe, sim, interesse no cinema brasileiro para coproduções e distribuição internacional. Mas, antes de mais nada, os filmes precisam ser bons”, aponta.
Assim, mesmo diante da conquista, não há perspectivas sobre crescimento estável da indústria audiovisual nacional.
Teixeira, contudo, afirma que a alternância entre governos com visões diferentes sobre cultura e arte prejudicam a continuidade de políticas de internacionalização, pois não fomenta um ambiente estável para o planejamento de exportar obras.
Dessa forma, diz, é necessário aprimoramento do investimento público, a possibilidade do investimento privado e a desburocratização dos processos de financiamento.
“Para manter o interesse do brasileiro ir ao cinema, a engrenagem tem que crescer, incentivos precisam existir, para desenvolvimento de projetos, formação de público, distribuição de filmes, e presença maior em salas de cinema, além de investimento para produção”, afirma.
Fonte: meio&mensagem